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September 2, 2008

As superlotadas gaiolas em bateria

A vida das galinhas poedeiras no Brasil

Humane Society International

As galinhas são animais inteligentes e que formam fortes laços familiares. No entanto, no Brasil, a grande maioria das galinhas usada na produção de ovos é confinada em gaiolas em bateria pequenas e superlotadas onde as aves não conseguem sequer esticar completamente as asas. Essas gaiolas também impedem que as galinhas realizem a maioria de seus comportamentos naturais mais básicos, como caminhar, alçar pequenos voos, empoleirar-se, tomar banhos de areia e botar ovos em ninhos.

Nessas condições, as aves sofrem estresse psicológico e inúmeros problemas físicos—como enfraquecimento e fratura de ossos, perda de penas e diversas outras enfermidades. Quando confinadas em gaiolas em bateria, cada galinha tem um espaço menor do que o de uma folha de papel A4 para passar toda sua vida.

Junte-se à HSI e assine nosso manifesto contra as cruéis gaiolas em bateria.

Estudos científicos provam o que o senso comum já sabe: animais confinados em condições tão severas vivenciam estresse permanente. Estudos também apontam que sistemas sem confinamento em gaiolas podem aumentar a segurança dos alimentos.

Sistemas alternativos

O Brasil já possui sistemas de produção que não usam gaiolas e que promovem um maior grau de bem-estar animal, como é o caso dos sistemas caipira e orgânico. Além de estipular que as galinhas sejam criadas soltas, a legislação específica para ambos os sistemas exige que as aves tenham acesso a áreas externas onde possam se exercitar e praticar seus comportamentos naturais, como ciscar. Uma outra alternativa são os ovos que são certificados com o selo “Certified Humane” (Certificação Humanitária). Esse selo não necessariamente indica que as galinhas têm acesso a áreas externas, mas garante que gaiolas não são usadas e que as galinhas sejam criadas soltas em galpões, com acesso a ninhos e áreas para ciscar, empoleirar-se e tomar banhos de areia.

Tendências mundiais

Diversos lugares no mundo já estão deixando de usar gaiolas em bateria. As gaiolas em bateria são proibidas na Suíça há mais de 20 anos. Em 2012, a União Europeia proibiu o uso de gaiolas em bateria convencionais. No mesmo ano, o Reino do Butão também proibiu o confinamento de galinhas em gaiolas em bateria. Nos Estados Unidos, os estados de Ohio, Califórnia, Michigan, Oregon e Washington aprovaram leis para restringir o confinamento de poedeiras. Na Índia, a maioria dos estados já declarou que o confinamento de galinhas poedeiras em gaiolas desrespeita a legislação nacional contra a crueldade animal, e o país estuda uma proibição.

Importantes multinacionais do setor alimentício também estão adotando políticas de compras de ovos produzidos sem gaiolas. McDonald’s, Subway, WalMart e mais de 200 outras grandes empresas já adotaram políticas de compra de ovos produzidos sem gaiolas nos EUA. Um número crescente de empresas está adotando as mesmas políticas livres de gaiolas para ovos no Brasil, incluindo Compass Group (GRSA) e Sodexo, duas das maiores empresas de food service do Brasil, Alsea, maior operador de restaurantes na América Latina, Burger King e Nestlé. A Unilever, fabricante das maioneses Hellmann’s e Arisco, anunciou que, a partir de 2020, todos os ovos usados para a fabricação de seus produtos em todo o mundo serão provenientes de granjas sem gaiolas, incluindo no Brasil. Em 2015, o Grupo Bimbo, maior empresa de padaria industrializada da América Latina e dono de grandes marcas no Brasil como Ana Maria e Pullman, também se comprometeu a somente comprar ovos produzidos sem gaiolas em todo os lugares do mundo em que opera até 2025.

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